"...E não haveria mundo onde coubesse mar,se em mar se convertesse a minha dor."
Vanda Veloso





quarta-feira, 29 de Julho de 2009



Vida Tão Estranha (Com Ana Carolina) - Rodrigo Leão & Cinema Ensemble

domingo, 9 de Março de 2008

A última Caravela





Quando a vida me cessar e eu morrer
Farei da Caravela que me levar
Meu nobre leito de morta sobre o mar
Catedral eterna, cruz desfeita a arder


E de mastros erguidos sobre a vida,
Rompendo em trevas este mar de morte
Hei-de deixar entregues à sorte
Meus sonhos abertos em torre esguia!


E hás-de um dia da tua janela
Ver voltar a minha Caravela
Trazendo as minhas asas cansadas...


Virá ela em febre e desalento,
Em galope doido e violento,
Olha os meus sonhos: - Velas rasgadas!



Vanda Veloso

domingo, 2 de Março de 2008

Carta Lusitana



Durante todo este tempo em que a aproximação se deixou consentir, em que pude olhar-te nos olhos demoradamente, em que consegui provar a tua boca e sentir a presença do teu corpo…
Durante este tempo, para mim foste vida. Foste a digna razão pela qual muito transbordei, completa e transformada pelas margens do que significavas para mim, despencando-me em cóleras, risos e gargalhadas possuídas.
Foste a depêndencia que curou outra dependência, a sanidade para a doênça, a vida para a morte, a luz para as trevas.
Andei drogada de ilusões toda esta vida até que decidi curar-me deste padecimento e entregar-me aos teus benditos cuidados, mas quando me jogavas ao abandono a dependência violênta que me enforcava dominava-me a alma e era aí que chorar não bastava para dignificar tanta tristeza, pois ela não cabia no pior caos do momento.
Lembro-me de ti e a tua imagem é tão frágil que se desvanece na minha mente, mas há qualquer coisa de terno e eterno encanto, de cálido, de saudoso…
Mas agora vejo-te: Um pouco humano, um pouco estátua, carne subtil e trabalhada.
Obra de Miguel Ângelo (seja como quiseres), já que as criações não costumam admirar pouco os seus criadores, que do contrário seria Rodim o grande escultor de génio da tua pessoa.
Todo tu, carne erguida sobre a pedra, o teu perfil limado com um nervoso perfeccionismo lembra as estátuas gregas imortalizadas...Todo tu és mármore e sangue...
(…)
Dentro de mim era tudo noite. - “È noite. É tudo noite!” Naquela noite havia uma dor trágica com cariz de vingança, poderosa, que timbrava um caminho para a morte.
- “È noite…e tudo é noite…” e o meu coração devastado arrastava-se pela noite insone e sobre-humana…podia ter sido a última. Neste momento percebo que eu mesma me reconstruí árdua na dor, que me levantei e percebi a minha imortalidade perante a vida.
Visualizo neste momento o bruto olhar que me lançaste quando me perguntaste porque queria ter partido. Os teus olhos ideais envidraçaram-se… E eu respondi. E os teus olhos húmidos e compreensivos abraçaram-me a alma com força para não a deixar fugir.
Schindler’s List soava pelas paredes do quarto, os meus olhos procuravam as coisas desfocadamente e os sentidos adormeciam, a razão relaxava e eu mesma me ausentei (…)
Que cena infame e vil !!! Que quadro de amarguras…
Tu voltaste e a nossa paixão tomou comando de dois corpos abandonados, movida por duas almas - astro, almas - gaivota, almas – luz e tudo desapareceu…e voltaste a ir embora e tudo reapareceu.
Até hoje nada sarou, nada esqueci, nada perdoei, nada exigi…

Até hoje a minha alma foi um astro a explodir por dentro, foi a destruição dia após dia de um bom pedaço no mapa do meu sentir.
Como disse Florbela:
Tu por momentos pareces-me a água envenenada e eu o sedento em deserto desconhecido, bebia-te porque eras água, que me importava que morresse do teu veneno?
Isto para te retratar a consciência que possuo da minha própria inconsciência face a ti. Da mesma forma enérgica e total com que abro a minha alma e deixo que a escravizes e rebaixes.
(...)
Em todos os que se passeiam pelo mundo há por dentro uma espécie de mecanismo de segurança que ao mínimo sofrer activa o alarme que determina a hora de afastamento, mas eu não tenho nada. Abro a alma, o peito, a mente, o corpo, a vida… e deixo que os acolhas, mas tu tens tanta coisa nas mãos que me deixas cair pelo chão.

É mais difícil a tua ausência do que a fome, do que a sede, porque a tua ausência são ambas juntas no seu expoente máximo até á exaustão das coisas.
Mas eu muito me culpo, o dar-te tanto amor é também uma preciosa arma para ti na medida em que te confunde quem deu e quem recebeu. Não creio que me possas ser capaz de me defender de alguma coisa, visto nunca chegares ao cerne das intenções alheias.
Podes rir-te meu amor, mas o quanto me dói e me custa ter ouvido de ti a brincadeira grotesca e malévola dos teus bons amigos, que na tua inconsciência pouco valor negativo teve. Não fico contigo sem ser respeitada com toda a dignidade que possuo, com os meus valores em alta e com a certeza de que te sou imensamente fiel.
De pouco serás capaz, mas não te choque pois eu também…de tão pouco…de tão pouco…
Tanta inteligência transformada em loucura, em delírio e alucinação que não cessa e nada cura e nada trava, em que só o amor piora e a paixão acalma disfarçadamente.
Devo ser para ti um fardo pesado e velho, motivo de gozo perante os teus amigos aos quais não confessas nada…
Mas muito fizeste por mim ao me entregares essas costas largas para abraçar quando me sentia vazia. Essa boca para beijar quando precisava sentir uma alma junto a mim. Esse olhar que falsamente me entendia só para me acalmar o espírito danado e ansioso.
Nada te agradeço pois que te retribuí em triplo e ainda mais te daria…
Amo-te como não se ama a ninguém, incontrolavelmente … sem consciência, pudor regras, ritmos, preceitos ou razão…

Apenas com toda eu.

Tua Sempre: Vanda

sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Dor



Sou filha unica do desalento.
Nasci cega e a minha voz é de pranto,
Moro numa torre feita de vento,
Dum castelo envolto em quebranto!

Negra, a minha alma outrora luz
Conta tanta coisa triste á escuridão,
Que sente nas asas a própria cruz
Que o Senhor carregou p'la sua mão.

Fala-me o silêncio do sol e do mar...
Mas eu, só a minha alma sei cantar,
E a tristeza vem comigo onde eu fôr...

Sou a irmã do fado amargurado...
Do choro convulso e incontrolado...
Eu, sou do mundo inteiro a própria Dor!


Vanda Batista Veloso

quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Momentos de Casablanca




Passou por ela, sentiu o rasto de perfume, quis olhar para trás mas não o fez e ficou-se a ouvir o som dos passos dela pelo chão da cidade grande.
Quase parou no caminho, sorriu e fez aquela expressão de olhos cerrados que ela não viu.
Passou por ele, desejou mergulhar naqueles olhos de homem, mas permaneceu com o olhar preso no chão, seguiu a sua boa conduta de mulher séria.
Deixou-se ir e resistiu á doce tentação de olhar para aqueles ombros largos.
Já adivinhado de que ela não iria olhar para trás, moveu o seu corpo.
Viu-a pelo passeio com os seus passos decididos, a frágil cabeça que queria sentir pousar no seu peito másculo e o seu corpo recortado na luz enevoada de Janeiro.
Pensando ela talvez o mesmo arriscou olhar, ver se ainda lhe via a forma e virando-se reconheceu alguém que parado se limitava a olhar na sua direcção e era ele. Olhos que não reconheciam os outros de tão longe que estavam, mas a forma de corpo tão bem adivinhada denunciou-o.
Inspirou e deixou-se ficar com o ar no peito, num repente de susto, virou-se e acelerou o passo.
Ele ficou sem reacção, perdido naquele momento de sonho, em que o nevoeiro parecia brumas… Continuou o seu caminho.

(...)

Noite caída, a luz dos candeeiros iluminavam a rua, a lua nessa noite não apareceu e estava um frio seco. Vinha ela a essa hora do anoitecer pela rua e não entrando em casa seguiu por um atalho. Uma ruela estreita e torta, ladrilhada, segurada por dois muros altos dos lados. O candeeiro inundava-lhe a cara de luz e olhou para o céu procurando pela lua quando por feitiço ele se afigurou frente a ela sorrindo. Os passos dela estancaram ali e nem um nem outro tiveram coragem de falar uma palavra que fosse.
Hó que coisa bela os olhos dos dois viam, objecto de adoração e loucura.
Ela olhou para trás para se refazer da surpresa retomando logo de seguida o contacto visual com esse homem.
Baixou os olhos tremendo de ansiedade...

Ele perseguia-lhe os gestos e disse:
- Estás bem?
Ela respondeu com uma mão que se levantou para ir pousar no seu peito, deixando-a ficar...
Ele deu um passo leve e ela atirou-se-lhe para os braços aninhando-se com suavidade na protecção do corpo dele. Ele passava as mãos pelos cabelos dela e ela ouvia o seu coração bater, o coração de homem que não sabia falar.

Ela sentiu o frio e disse:
- Adoro os teus braços.
Desencostou-se e olharam-se.
E pela primeira vez encontraram-se no mundo sentindo a própria alma na alma do outro, as mãos dadas e apertadas, os olhos que se fecharam para permitir que a boca de um querendo sem limite a boca do outro, se pudessem pertencer sem regras nem obediências.
Para ela um beijo seria a forma daquele homem poder dizer tudo o que sentia sem ter de largar a sua postura de tipo forte, silencioso, de masculinidade escrito no Virginiano de Owen Wister.
Aquele cabelo escuro onde ela lhe cravou as mãos, num acesso de inconsciência, os olhos castanhos-escuros que brilhantes estavam agora fechados e aquela boca nunca beijada, estava agora a ser languidamente idolatrada por outra que gelada lhe roubava toda a sua virgindade.

Hó objecto de desejo, um belo ser masculino, de olhos negros e tez morena, um verdadeiro lusitano de sonho que roubou o sentimento á poetisa dos olhos d'horizonte, mordendo-lhe o coração numa sede de a possuir pela vida toda.

sábado, 10 de Novembro de 2007

Carta de Aviador



OS VERSOS QUE TE FIZ

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


Estamos à um século atrás...uma história nunca contada, a malfadada história de Florbela e do seu querido morto...

- Sou Apeles Demóstenes da Rocha Espanca. O que sentia eu quando a via?!...
Eram os olhos garços dela que me abismavam...ía eu para África e no meu coração levava aquele olhar para me confortar...
Um amor não correspondido, um amor proibido, um amor perdido, um amor...

E esta é a carta que eu sempre receei escrever...
E escrevi mil vezes, mas a morada onde foi entregue, nunca foi a do teu coração.


Bela,

Daqui está tudo como sabes, são as festas, as noitadas, as danças que já deves ter sabido por aí.
Mas o que me leva a escrever-te é outro assunto.
Algo tão monstruoso...mas tão belo para mim...
Não sei se esta será mais uma carta que escrevo para queimar...Tantas cartas já te escrevi a contar o que tanto te quero dizer, todas elas foram apenas confortos para a minha alma, como se naqueles breves momentos em que as escrevia eu pudesse ter o poder que não tenho. Pudesse ser tão simples o que não é.
Fiquei a ver cada uma delas ser queimada pela fogueira, via o seu fumo a esvair-se no ar e a levar o meu segredo outra vez...
Esperava eu que tu, que tens tanto poder...a conseguisses ir buscar á lua, que a conseguisses ler, lê-la do fumo da dor em que ela se encerra.
Há quanto tempo mora este segredo neste pobre coração? Talvez desde aquela tarde...ainda eu desconhecia o que era amar...e já te queria amar...
Sim, Amo-te.
Naquela tarde, ainda crianças fomos acuzados de incesto, sem termos sido incestuosos...mas amanheceu um sentimento que nunca descobriu a noite.
Um sentimento que tem vida sozinho. Queria poder arrancar este coração, queimá-lo, espezinhá-lo.
Sinto-me a maior aberração do Universo. Amar uma irmã??! È inconcebível!!! Sou produto do Demónio.
Mas o que sinto por ti é tão puro...tento encontrar uma explicação...um caminho para a minha salvação.
Mas que posso eu fazer? Se te vejo nos braços de outro homem, a vida termina para mim nesse momento... ciúmes me levam a querer morrer e a chegar aos astros onde mora
a tua alma.
Alistei-me em tudo o que podia, tentei viver o mais longe que podia de ti... para te esquecer... para te deixar viver... cheguei a deixar de te falar durante três anos... mas o amor não esmoreceu...para mal da minha cristandade crescia a cada ano...
Já estou perdido minha amada.
Fico eu a ver desconhecidas que se parecem contigo a andar...imagino que és tu, e ca fico eu nas ruas empoeiradas de Angola a ver-te afastar, e lá vais tu outra vez para bem longe de mim.
Podia ter tido mil mulheres me meus braços,mas com nenhuma eu estaria.
Só tu meu amor eu amava e até o teu nome eu chamava baixinho.
Quem me dera que as encarnasses nesse momento, que me declamasses um soneto de amor enquanto eu te tocava na alma.
Ando sempre com uma fotografia tua no meu bolso, nunca quero ter que te lembrar, porque significa que num breve segundo te esqueci...
Mas que irei eu fazer a esta carta???
Entregar-ta para nunca mais me quereres sequer olhar? Tu que és a mulher que mair terna foi comigo?! Sei que é ternura de irmã...choro...não aguento.
Já fujo para os céus, porque lá te sinto na paisagem, a beleza juntamente com o perigo...
Tu és assim...um ponto de fuga da realidade que a todos se encerra na mente. Vivem num deserto de palavras e tu que lhes dás o sentido de terem algum dia sido criadas.
Já te pensei dizer só "Gosto muito de ti", mas até isso me custa dizer...e iria desfazer-me em sentimentos e num relance poderia já estar a beijar esses teus lábios,lábios de fogo que me queimam a alma, que me fazem rezar por eles todas as noites e adormecer enquanto palavras doces deles saem...
Quantas vezes fiquei eu a ver-te a vir da escola, alegre, mas já nos teus olhos morava a Poetisa que Deus criou numa tarde de crepusculo roxo...e que quando nasceu, a noite se iluminou de raios de astros que vieram para ver a sua mais nova irmã.
Tu não és minha irmã...és irmã deles...que importa o que aqui na Terra nos faz ligar a quem somos irmãos...
Se o que importa é a quem nos liga o coração.
E foram-se passando as Primaveras.
Desde que nasci sempre vivi para te amar.
Hoje vou voar...rio acima...rio abaixo. Serão as suas curvas as curvas do teu corpo e com o meu voo estarei com o teu corpo...com a tua alma...
Tenho guardado comigo todas as minhas preciosidades, resumem-se ás tuas cartas, ás tuas lembranças e ás reliquias das tuas palavras...
Há dois dias andaste de mão dada comigo...o que o meu coração rejubilou, o que a minha alma rezou para que aquele momento se eternizasse.
A tua pele macia, pálida...pura, nunca na vida existiu mulher mais pura que tu...
E andas tu a sofrer nos braços de outros homens, quando o que te faria feliz é proibido de te amar, de se expressar e de te conquistar.
Irei para os céus para te esquecer, pode ser que lá bem alto conseiga fugir ao que sinto aqui na Terra que estou a pisar.
Hoje subir até mais não. Irei subir até ao máximo que o avião me conseguir levar.
Quero tocar os astros...onde ao teu lado queria eu morar.

Esta carta terá um destino diferente, vou atirá-la do avião ao rio e nunca me vou esquecer dela...nem de ti...
Pode ser que o rio tenha o poder de me deixar amar-te...
O que sinto não existe em palavras que o possam descrever, digo como toda a gente e sinto como ninguém...

Amo-te!

Teu para sempre,
Apeles, 6-6-1927

sábado, 13 de Outubro de 2007

Dentro de mim, longe dos olhos das gentes...


Estou presa dentro dos meus braços...Estou amarrada dentro do meu cérebro...
Trago o coração aos tombos,de rastos pelo pó da estrada...solto...e os
lobos já se ajuntam...
Mas que pobre sou eu k nem trouxa tem?
Mas que mendiga sou eu que nem sabe donde vem?
...Que pecador...Que fez mal e não sabe a quem?
Áhhh...ter por alma uma pobre coisa velha, mutilada, incompleta e ferida...e entender
que é por ela mesma que o meu orgulho ultrapassa a vida.

quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Romance III Parte


A barba dele arranhava devagar...os braços dela perdiam forças, deixavam-se pender hipnóticos, a boca como um cravo vermelho entreaberto deixava a respiração ouvir-se numa espécie de sussurro, de murmúrio de amor...
Os olhos claros dele enlouqueciam, as mãos calejadas do trabalho pesavam de desejo sobre ela...
A concertina tocava em uníssono com risos estridentes de galdérias que pela rua passavam buscando o seu sustento.
O seu corpo deixou-se cair na cama num gesto de cansaço com as mãos entrelaçadas nas dele, os braços elevados ao alto estendidos para ele que se mantinha de pé olhando com o peito descompassado. As mãos desenlaçaram-se e ela jogou os braços para trás, ele com o seu porte de soldado ajoelhou-se devagar, espantado com algo que lhe parecia não ser real e lhe deslumbrava o coração.
-Johnny...Johnny…Johnny…- Arrastava o nome dele nos espaços escuros do seu desejo como uma obsessão.
- Amie…, – Retribuía ele…
Johnny olhou para o tecto esticando a sua coluna, inspirando profundamente o ar revitalizando os seus pulmões pesados e mal fechou as pálpebras por um segundo a delirante sensação de a desejar aumentou como um incêndio incontrolado. Num repente as suas mãos abriram uma fenda entre a cama e a cintura de Amie, os seus braços passaram por baixo dela percorrendo as costas e acabaram a envolveram-lhe a cintura finíssima num abraço total…
Johnny abraçou-a com força, materializando assim o seu desejo e de seguida deixou pender a cabeça sobre o seu ventre de mulher como faz um filho pequeno que quer colo…
Amie sentiu crescer em si uma ternura nunca antes sentida e as suas mãos brancas pousaram-lhe na cabeça, acariciando-lhe devagar os cabelos suaves enquanto olhava para a porta da varanda sentindo os fios de cabelos passarem-lhe entre os dedos.
-Amie…podíamos ficar assim até morrer…era tão bom…
- Amo-te tanto…tanto…-
Johnny levantou a cabeça de repente e olhando para Amie:
-Nunca me deixes… -
Amie assustada levantou-se e sentando-se abraçou-o com força embalando-o:
- Nunca!! Nunca!!
Nesse instante bateram á porta do quarto com força. Os amantes olharam-se assustados sem saber o que fazer…quem seria?? Johnny pôs um dedo á frente da sua boca a pedir que Amie não falasse enquanto pensava no que iria fazer.
- Johnny!!! Abre. Sou eu!
- Tu…quem? - Respondeu Johnny franzindo as sobrancelhas.



Bela fartou-se! Enjoou da história, só queria amassar as folhas todas e deitar ao lixo.
Bebeu o chá frio, levantou-se, abriu a janela e começou a falar sozinha:
- P’ra que escrevo eu??? Como se todo este género de histórias já não estivesse mais que usado…Oh noite escura tens a alma dolorida que eu tenho...E és solitária e triste como tu em mim...e agora estamos aqui a fazer companhia uma á outra...mas ao menos as tuas lágrimas são feitas de estrelas que correm pelo céu e as minhas são feitas de água que correm pela minha cara, como podes ver, muito menos poético!!
Fechou a janela e foi dormir.
No dia a seguir apeteceu-lhe sair, quis ir passear á praia, ver-o-mar e arranjar alento para alguma coisa, já que tudo o que fazia era tudo feito por fazer!

sábado, 1 de Setembro de 2007

Estou cansada de Descer...e não tenho força para Subir..

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Angel Graphic Comments


...lá em cima eu tinha o homem que me amava...e decidi fugir sufocada e doente...corri louca pela escadaria abaixo...fugindo solta esperando sei lá o quê...agora...cá em baixo...parto o meu coração aos bocados e atiro-o ao mar...

Resgata-me...sufoca-me de novo...para sempre...

Vanda Batista

segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

O coração do mar





Arrancar do fundo a maior dor,
Em êxtase labaredas e sangue!!
Retirar o coração exangue,
Entregá-lo ao que de maior fôr.

Atirar a alma ao infinito,
Como cinzas que se sopram ao vento!
Ser vida e morte num momento.
Ser clarão e treva,verdade e mito.

Depois morder com força o coração,
Como um beijo eterno de paixão,
E erguê-lo aos céus tonto de loucura!

Abrir no mar o único caminho,
Brutalmente sensível e sozinho...
-"Mar...Cede-me em ti sepultura...!"

Vanda Batista

sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Romance II parte


O sol da tardinha ainda quente costumava pô-la hipnotizada no vazio, calada e fixa.
As suas feições mal desenhadas nas fotografias a preto e branco nada diziam de realmente verdadeiro, era bem diferente vista de perto...
Os olhos de tons verdes azulados, misturando-se ao fundo com cinzentos cor de bruma semicerrados pelo sol, a boca firme, rígida de quem está atento, os cabelos castanhos com reflexos de mel, a pele duma cor pálida, e perguntariam...saberia ela escrever versos???
Uma respiração lenta e profunda fez com que saísse do transe e se vira-se lentamente para trás, sobrevoando o olhar pela mesa de madeira escura, pela chaise-longue, pelos lírios brancos na jarra, e pela sua sombra projectada no chão...o seu olhar guardava algo em ebulição na mente, uma pergunta, um desconforto, uma situação tediosa qualquer...o que seria?
Os seus olhos moveram-se num repente no momento em que alguém bateu á porta.
-Entra! - disse
A porta abriu-se deixando antever Teresa com o seu avental branco com flores azuis, o qual enrolava nas mãos sempre que falava com ela.
- Senhora, o jantar está pronto, posso começar a servir na sala de jantar? - perguntou Teresa com a voz fina e suave.
- Sim...eu já vou, aproveito e abro as janelas que com aquele cheiro dos charutos nem se pode comer. - disse Bela fazendo uma cara enjoada, enquanto Teresa se ia embora.
Fechou a janela que não tardava a ficar fresco mal o sol se pusesse. Calçou num instante os seus sapatos pretos de verniz que estavam junto á mesa e saiu porta fora. Desceu as escadas devagar, olhando para baixo. Teve sempre medo de cair ali.
Mário que estava á entrada da cozinha inclinou o seu corpo esguio para a esquerda para espreitar Bela que vinha a descer. O colar branco dela balouçava-lhe no peito com os passos nas escadas, a forma como esticava o peito do pé para pousar no degrau a seguir era extremamente elegante e o facto de se agarrar com firmeza ao corrimão de madeira demonstrava que tinha receio de escorregar ali.
Bela olhou-o nos olhos passando por ele seguindo para a sala, ele olhou para o chão pensativo e com as mãos nos bolsos deixou-se ficar uns instantes.
Na sala Bela abriu as janelas amplas, de cortinados brancos, por onde passava a luz etérea da tardinha.
Após um jantar comum, Bela diz que está cansada para se esquivar á companhia entediante do marido. Mário aconselha-a a ir dormir pedindo a Teresa um chá de
Verbena para Bela.
- Acho que vou descansar um pouco na mansarda...
- Escrever excita-te os nervos, devias parar um pouco - disse o marido.
- Humm, pois é... – disse Bela, escondendo no olhar a mágoa que os conselhos destrutivos de Mário lhe provocavam.
Será que ele não se dava mesmo conta de que aqueles conselhos eram totalmente errados e que só a escrita a acalmava e libertava deste mundo pequeno que ela via como uma cela escura e fria?
Esperou pelo chá para que já na sua sala de trabalho ninguém a fosse incomodar e não conseguia parar de pensar no homem da sua história.
Queria ansiosa pôr as mãos naquela caneta, naquele homem, naquele quarto, naquela data...1830...
Subiu, entrou, acendeu a luz, uma lâmpada pendurada por um fio eléctrico no centro do quarto iluminou-se e pousava a sua luz sobre a mesa. Descalçou-se arrumando os sapatos em baixo da mesa e puxou a cadeira para se sentar.
Olhou para a porta, estendeu o braço, molhou na tinta negra a sua caneta de aparo e deixou os olhos mergulharem em sonho...
...
...
...

domingo, 1 de Julho de 2007

Romance I Parte


O quarto envolvido num manto fino de escuridão,tingido de finos
raios de luz que os primeiros candeeiros da cidade emanavam.
Um barulho ocasionado por tecidos que se roçam um no outro,a prega do vestido que teima em percorrer a manta velha e gasta da cama dele...Um quarto...num prédio situado nas antigas ruelas ladrilhadas esburacadas e desniveladas daquela cidade.
Uma porta para entrar,fechada a chave,ligeiramente áspera,enferrujada aquela bendita chave,que se despregou no cheiro para as mãos dele..
Uma cama de ferro branco contorcido em arabescos encostada á parede direita do quarto.Na outra parede uma escrivaninha,uma vela que se acabou de acender para iluminar o espaço...e nessa mesma parede uma lareira
escura e fria..
Na parede da frente um armário escuro onde ele guardava a roupa,e portas envidraçadas que separavam o quarto de uma varanda estreita...Via-se uma ponte...
Um som de concertina que se tocava nas ruas fazia-se ouvir e chegava ao quarto gasto e baixo...o seu corpo emoldurado pelo casaco comprido recortava-se na luz que vinha da porta da varanda...olhava para ela de pé e submersa em sombra...olhares que se procuravam num ambiente feito a carvão,será que se encontravam?
Aquele momento fez parar o tempo,os pensamentos,as acções,os sentimentos...foi como se o mundo não fosse mundo,como se eles não fossem eles nem fossem ninguém.Como se o nada existisse em tudo.
Depois,soou o som dum passo no soalho que rangia suavemente..um passo lento,dado com medo..enquanto a sombra dele se moveu no espaço...hesitou por medo?Por respeito?Por...controlar a ansiedade,a loucura?
Vencendo tudo isso,deparou se direito frente a ela...olhos postos um no outro..onde metade do rosto dela era inundado por luz,e a outra metade permanecia em sombra total...
A concertina sensual que se ouvia misturada ás vezes com as gargalhadas de velhos embriagados que ressoavam
vindas da taberna lá de baixo...
Ela tremia...ele tremia...
-Óh meu amor... - numa voz suave de mãe que abraça o filho vindo da guerra,ela abraça-o com uma mão na nuca,com os dedos entre os cabelos dele,e a outra mão aberta no centro das costas largas sobre o casaco grosso..os olhos fechados dela que retinham com esforço lágrimas e o seu peito desfeito.Sentia-o ferido e aberto,
em total entregue aquele homem que estava a frente dela...
O corpo dele imóvel,braços baixos...enquanto ela o abraçava,os olhos dele perdiam-se fixos nalgum ponto da parede onde a cabeceira da cama encostava e num gesto perdido na imensidão dos espaços os braços dele levantaram-se para,a tremer de nervos,de pavor,de medo,de dor,de paixão,de amor...a abraçarem com força,com tanta força...a mão dela posta na nuca deslocou-se para o topo da cabeça dele e agarrou-lhe o cabelo
com força,enfiando a cabeça e o rosto dela por baixo do pescoço dele,quente onde ela sentia a respiração dele e sentia o peito dele subir e descer...
As veias dos braços dele engrossavam de ansiedade,a respiração dele aumentava de compasso e as sobrancelhas arqueavam-se para cima,e os olhos doces de rapaz guardavam ciosos uma alma de guerreiro,nas mãos secas e quentes estáva a grande dádiva que a vida ás vezes dá como presente...
Ela desencostou a cabeça,olhando para cima levemente,via o contorno perfeito do seu nariz de criança que a idade não foi desfazendo ao longo do tempo,viu também os seus cabelos não cortados ligeiramente ondulados,passeou o olhar pela cama,pelo quarto e o silêncio ausentou-se.
-Quero levar-te comigo,roubar-te da vida,de todos e de nenhuns!...não é possivel..como podes gostar tu de mim?...
-Shhhh..não digas nada...não digas nada...deixa..deixa..
Inclinou a cabeça para o lado direito e aninhou-a de novo no pescoço dele.
Encostava as pálpebras finas dos olhos á pele quente dele e...um impulso suave mas capaz foi tomando conta de todos os sentidos,de todas as curvas,de todos os recantos daquele amor...
Levantando a cabeça,de olhos fechados,cega olhando para cima,boca encostada ao seu pescoço..ele deu espaço entre os peitos e baixou a cabeça olhando-a como uma estátua de Rodim perfeita,que expressão era aquela?
Que olhos escondiam aquelas pálpebras???..E que beijo guardava aquela boca?...A pele...branca,inexplicávelmente desenhadas aqueas feições,de deus teria criado aquela criatura?Que raça seria?Que ser seria?Humano era ele..
e ela?...quem?..o que seria ela?...
E foi puxado por um chamamento de magia que em carne e sangue o prendeu áquela boca de mulher..
Olhos fechados,bocas unidas mordendo-se e arrancando vida uma á outra...
Que lábios frios tinha ela,gelados,mas por dentro quente,carnudo,suave...que adjectivos mais poderia uma cabeça de homem encontrar naquela altura?...Mas ele pensava,ele queria descobrir,ele queria saber...ele insistia em decifrar o que havia lá...naquele sabor,que sabor? Mas como?...O que era?...Orvalho frio no inicio tombando em aromas de ambar e violeta...e no fim..tinha um sabor no fim que era como um cheiro...era quente...era intenso era...o que era?...
A boca dele era quente,lábios quentes,cheiro de homem,pele quente,sangue masculino,a respiração dele sabia a algo...
Impregnaria na sua boca aquele sabor para nunca mais sair...
E as mãos ficavam mais ansiosas,as mãos dela agarravam com força o casaco de pobre dele,fazendo vincos eternos e ele irrequieto passeava as suas pela cintura daquela menina-moça quase mulher...
As respirações foram ficando mais insuportaveis,mais pesadas...a razão começou a ficar dormente,a adormecer como uma criança com sono deitada no berço...as bocas separaram-se com pena,com saudade já,com loucura...
A boca dele cheia de vontade de se roçar com força contra a pele do pescoço dela,descobrindo assim a sua pele.
O sabor da sua pele clara e tenrinha,doce e salgada,estranhamente morna...
...
A poetisa foi acordada do seu romance,por uma voz no corredor que a chamava...
-Bela!......Bela!...
-Já vou!...
Levantou-se pousando com cuidado e avidez a sua caneta,para não tingir de tinta negra o papel de mercearia que utilizava para escrever.
Mário tinha chegado,eram 19.03h marcáva o relógio de parede da sala.
-Então correu-te bem o dia? - perguntou-lhe ele pendurando o casaco cinzento e o chapéu,deixando-se ficar em colete.
-Sim,e tu tiveste muitos doentes hoje?
-Tive poucos...mas trabalhosos!.. - Olhando para a folha escrita dela-Que estás a escrever?
-Um novo projecto,só o verás no fim!! - Respondeu ela com ar de criança deliciada.
-Para o jantar providenciei Perú assado,espero que gostes - tirando-lhe a caixa de charutos de uma gaveta e estendendo-a para ele.
-Sim...pode ser - Disse ele,encostando-se no sofá verde enquanto acendia o charuto.
-Queres o jornal?Vinha hoje uma noticia sobre os avanços da medicina em Portugal.
-Sim,por favor.
Movendo-se descalça pelo corredor estreito até á porta das traseiras onde numa mesa tinha pousado o jornal nessa manhã.
-Toma.Vou levar só isto para cima - Disse-lhe,referindo-se ás suas folhas e tinteiro.
E saiu,deixando-o sozinho com o seu fumo de charuto e com o seu jornal.Subiu as escadas de madeira em caracol bastante ingremes e pousou na mesa do seu quarto de trabalho o seu novo projecto. A chaise-longue virada para a janela,o mar em frente,se bem que mais ou menos distante,o sol inundava ainda o chão de madeira e ela em pé,com o seu vestido em tons de beje e castanhos e descalça fechou a porta atrás de si e encostou-se a ela...pensava nos seus dois personagens...a data de 1830,a um século atrás mais ou menos, estáva em 1926...uma data certa era sempre muito mais válido...1830 seria a data.
Pensou em si...pensou no Mário..na criada Teresa que cozinhava...no cão que ladrava no pátio...aproximou-se da janela,apoiou os seus cotovelos no parapeito e ficou ali assim com o olhar perdido...

quarta-feira, 2 de Maio de 2007

...



Uma silenciosa onde de choque embateu em tudo o que estava em meu redor,abrindo crateras no chão. Fiquei parada,os objectos mantiveram-se fixos ao espaço,mas não existia nada,só duas figuras paralisadas debaixo de um manto de escuridão.
Alguém me fez engolir um comprimido que bloqueava a dor na consciencia.Acordei horas depois ou,melhor dizendo,realizei o movimento de abrir os olhos.
…Despertei dentro de um corpo.
Constatei que ainda respirava,mas no interior de um cadáver impropriamente enterrado no desespero.
Andava,deslocava-me pelos cantos da casa,carregando uma estranha nos pés…
…Fui maltratada por todo o tipo de intempéries humanas…
Ninguém nota que eu começo a não sentir nada,absolutamente nada…todos os gestos, sonhos e sensações se refugiaram na inércia…o mundo chega-me através de um ecrã distante…
Vivo num tempo suspenso á espera do nada…
O esforço de me libertar empurra-me na vertical para o fundo da terra…e nada sinto,nada…absolutamente nada…

Adaptado por Vanda Veloso

segunda-feira, 23 de Abril de 2007

"Traz-me cigarros..."


"Traz-me cigarros..."...uma voz de mulher...um corpo estendido,encurvado entre as dobras sensuais dos lençois brancos.
Uma cabeleira que revolta,comprida,ondulante,aberta na cama tomava conta de quase toda a cabeceira...e os olhos...densamente enevoados,afogados na luz que coincidentemente lhes batia,vinda duma frincha da janela mal fechada...o sol da manhã quente,um aroma a violeta que se desprendia da sua roupa espalhada ao acaso pelo chão do quarto...
"Traz-me cigarros...",que frase tão felinamente dita...o braço magro despregava-se do próprio corpo para se fazer deixar pender na dobra da cama,o pulso fino,uma palidez tal,um brilho quase purpurina via-se na pele iluminada pelo sol,e que homem julgaria tão drogados os beijos daquela boca de mulher?Quem adivinharia encontrar no olhar semi-cerrado dela o nirvana,o êxtase total naquela alma?Aparentemente ninguém...era linda de dia,mas de noite ultrapassava qualquer coisa...assim meia dormente,meia em transe como eu a vi,como eu a deixei cair em meus braços e envolvi a minha boca na dela num beijo absoluto,de intensidade inigualavel...e naquela voz de mulher um timbre drogado que me puxava!!!
Nos pés da cama de pé olhava,observava aquela mulher...o seu nome,a sua vida,tudo estaria errado,só ela mesma estáva correctamente feita entre tudo errado á sua volta...desejei reinventar o mundo dela e a sua vida...
- Traz-me cigarros...de fumo azul,ai se te esqueces...!"
- Nem que procure meio século, trazer-tos-ei...
E fui...olhei mais uma vez pela porta,o corpo envolto nos lençois,recortado na linha de luz e no espaço de névoa que inundava o quarto como brumas vindas doutra vida...
...

quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Engano...

Desdenhar a vida,esmaga-la entre as mãos e deixar que nada surja mais diante de meus olhos,fecha-los para sempre...se é que o sempre existe...
Enfim...
Não ser,não existir...não...nada!!!

quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Carta



Esta carta é para o meu guerreiro,
para o meu anjo sem asas...
é para quem eu quiser...
é para mim,
para Deus...
para o que foi,
o que é,
e para o que há-de voltar a ser,
os outros...passem adiante!


"Meu bom amor,
Quem olha para mim vê-me envolvida numa banal,inutil e miserável futilidade...
Que mais poderiam vêr? E o que sou eu senão isso?...
Não!!
Mas eu sou mais...mais,muito mais além...

Nem tu...

Quem souber ver bem,lá no fundo dos meus olhos,dentro das minhas pupilas iluminadas
e brilhantes,vê que quem lá mora há-de ser a sombra viva da tua pessoa,da tua bendita alma...
Áhhh..ter eu o sonho ainda,dum sonho que me morreu,ter ainda a ilusão duma ilusão perdida,a fé duma crença
já esquecida...ter eu no meu íntimo,em íntimo fervor a miragem que meus sentidos
guia,o supremo ideal que me enleia,o sublime encanto que me deslumbra...
Áhhh...ter-te a ti...É ter o mundo sem o saber...
Quero ter-te de novo no meu peito,nos meus olhos,a minha boca na tua...
Assim para sempre...
Quero de novo tudo igual...
O coração em chaga,vermelho vivo,a pulsar febril num compasso louco,doente,alucinado...
Os meus olhos brilhantes,vitreos não vendo,já cegos pela luz do teu olhar...emergidos em lágrimas...
A minha boca na tua,ansiosa,caprichosa,desejando,mordendo a tua,em sangue se esvaindo...
Que este triste suspirar dos meus dizeres,te estremeça o coração de forma tão forte
que encerres na minha alma o teu amor,que faças na minha pobre alma tão enlouquecida
em alva brancura se emergir meu lutuoso olhar.
Cruza meu caminho agora...
Meu Amor...
Meu unico amor...
Meu eterno amor...
Meu ideal prometido...
Meu homem...
Amarra mais as mãos á minha alma,prende-lhe os braços a uma cruz maior,despe-a assim,rasgando tudo
e fica assim a olhá-la...a ver os traços que contém,as curvas a que é moldada,
e escraviza mais. De amor mata-a mais e mais...
Mata-a!!...
Mas em teus braços amor...em teus braços,pois em mais nenhuns quero eu morrer...em mais nenhuns...
Meu amor...
Meu nobre amor...
Meu casto amor...
Talvez morrendo eu viva mais...
Pudesse eu nesse momento em que Deus me levasse te amar mais que nos cem milhões de anos que eu vivêsse,
pudesse eu nesse instante fugaz te amar duma forma tão exaltada que essa paixão e essa vontade
não coubesse na escassez da vida,nem nos limites da alma...
Que poderias tu avaliar??
Pra que quero eu viver?...Se vivendo jamais te poderei dar a vida
eterna deste amor ímpar...
Conságra-lo comigo,um dia,após a morte...
Meu amor,e quando um dia me pensares desprendida,solta e desamarrada de ti,olha fundo nas minhas
entranhas,pelos meus olhos,vitrais dum convento de tristeza e vê se lá não estão ainda todos os beijos
que me deste?Vê se eu ainda não suspiro de amor por ti,vê ainda meu amor,se não te anseio a ti mais que
a qualquer outro...vê...e meu querido...senão me conseguires profanar um olhar que seja...é digno que tenhas a
certeza já que se não o faço é para não te perturbar.
O quanto dorido estaria meu intimo aí e fervente de paixão!!!
Se eu te não olhar meu amor,bem podes ter a certeza que te amo e que meu peito é o altar
em que te ergui...
Porque meu amor,um dia,em tudo hás-de-me ver a mim e tudo ao teu redor serei eu...porque não posso viver
sem a minha vida e tu não podes viver sem a tua alma...
Não te cansarás de mim amor?
Consome os milénios de vida a estudar-me...debruça-te em matéria apaixonante...tão de desdenhosa paixão...
Amarra mais teus pulsos á minha cintura,curva mais o teu pescoço,cai teu rosto sobre meus seios pequenos
branquissimos e sente a verdadeira paz no meu colo.
Morde minhas pernas nervosas de Diana Caçadora...e contorna meus pés pequenos e pálidos,inocentes pés
de donzela...Meu nó de sofrimento,beija devagar meu ventre que um dia acolherá um filho teu...sente
languidamente a pureza que exala da minha pele,meus peitos livres e delicados,meus ombros fortes e decididos
...Faz meu rosto se juntar ao teu,nosso olhos se olharem e se conhecerem e por impulso nossos corpos se
pertencerem,nossas vidas se unirem desta vez para sempre!!
Tacteia,ansioso,procura louco o meu olhar e pressente-o noutro tempo,verás meu amor que antes,
meu sabor era o mesmo,meu beijo era igual e meu olhar já era triste...
Ah...meu amor...ama-me de vez,cobre meu peito de rosas,enche minha alma de sonhos,
faz oh meu amor a minha vida se estender sobre a tua dignissima vida...

Amar-te mais eu já não podia...
A vida não chega...
Prende!!
Amarra!!
Não deixa!!

Ultrapassêmos os tempos..."
Vanda Batista Veloso

terça-feira, 10 de Abril de 2007

Tristeza profunda...4:08 da manhã...chega a ser loucura...

A musica que adoro cantar...Celtic Woman,



Agradeço a deus a voz que me deu,pois sem ela só poderia ouvir este som de fadas e não sentir o prazer encantado de a traduzir na minha voz!

segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Historia Calamitatum...Ruinas antigas...


Desisti de tudo,perderam-se-me todas as forças e invade-me um nobre sentimento de que todas as virtudes que eu poderia ter incutido dentro de mim mesma,se perderam....
Os meus sonhos de poeta que poderiam ter sido alguma coisa cá nesta vida,nada mais foram do que um mero engano d'alma."Ruinas tão grandes curvadas ao mar/Sonhos tão desmedidos caídos ao chão..."
Sofro sozinha a minha condição de mortal poetisa...
O mundo não sabe o que é ter cá dentro uma alma que ultrapassa tudo, que tem a altivez suficiente p´ra chegar aos astros,e a nossa condição miserável humana não nos permitir..."Minha alma chora devagarinho.../é ave roxa caída do ninho...que alma a minha que diz que tudo sente,toda a minha alma é deslumbrada!/Toda a minha sina é malfadada"...
Sinto que vibram em toda a minha volta elans...sonhos...ilusões fantásticas da terra antiga e que sou um pobre que tem como coração um baú antigo...nunca aberto a ninguém...forrado de sedas e brocados..."Que eu não tenho nada,não sou ninguém!"
Sou um instante de loucura,um esgar de insanidade..."Prender a loucura de quanto houver...!"
De que serve então ser poeta,ter a graça e o jeito de pensar em verso,se se é igual ao resto do rebanho??
"Como se eu não fosse igual a toda a gente...!!"
...
O que é talvez poder sentir numa dor atroz a dor do mundo...andar com o peito em chaga, curvado... embriagado de dor...com as asas baixas, trazer de rastos o próprio coração...
Óh...anjo vindo d'além...
P´ra quê tentar chegar a alma do mundo,se o mundo recusa a invasão?
P´ra quê moldar um soneto bem talhado,se depois não serve para nada???Nem para consolo dos desgraçados....então....para quê?

domingo, 8 de Abril de 2007

I wanna be loved by you


I wanna be loved by you
Just you and nobody else but you
I wanna be loved by you alone
pooh pooh bee doo!

I wanna be kissed by you
Just you and nobody else but you
I wanna be kissed by you alone

I couldn't aspire
To anything higher
Than to fill the desire
To make you my own
paah-dum paah-dum doo bee dum, pooooo!

I wanna be loved by you
Just you and nobody else but you
I wanna be loved by you alone

I couldn't aspire
To anything higher
Than to fill the desire
To make you my own
paah-dum paah-dum doo bee dum, pooooo!

I wanna be loved by you
Just you and nobody else but you
I wanna be loved by you alone
paah-deeedle-eedeedle-eedeedle-eedum,
poo pooo beee dooo!

Sra. Florbela Espanca



"Sou uma cética que crê em tudo,
uma desiludida cheia de ilusões,
uma revoltada que aceita, sorridente,
todo o mal da vida,
uma indiferente a transbordar de ternura.
Grave e metódica até à mania,
atenta a todas as sutilezas de um raciocínio claro e lúcido,
não deixo, no entanto,
de ser uma espécie de D. Quixote fêmea
a combater moinhos de vento,
quimérica e fantástica,
sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida,
num dar de mim própria que não acaba,
que não desfalece, que não cansa."

....Carta a Guido Batteli escrita pela poetisa.

sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Salomé....



Adormeci de cansaço...
pelas horas rubras da
noite quente...
Já noite cerrada acordo e de olhos semi-cerrados...sentia uma boca que se desfazia em beijos pelas minhas pernas... os meus braços estenderam-se para ele...acolhi-o...beijava-me com o absoluto da alma,mordia-me o corpo como a um fruto de verão...sentia que as mãos dele eram tão pesadas de desejo...que cedi....
Que estendi meus braços todos para dele,meus seios tornaram-se jasmins,minha pele pálida como arminho imaculado...e o cheiro a canela e a violetas maceradas na minha pele provocava-o de tal forma que me agarrou de vez,estendeu os braços da propria alma louca,feroz e violenta...doce,sensivel e timida...e cruxificou-se na cruz do meu corpo,braços abertos,peito exaltado,olhos afogados em sonho...
Seria eu...naquela noite que teria cerrado os olhos de desejo para sempre..

quinta-feira, 5 de Abril de 2007

O que for...


...Desfalece-me de prazer o corpo!!!
Nao!!!
!!!!A ALMA!!!
ARRANCA-MA DELIRANTE,DEIXA-MA REVOLTA!
Nao!!!
Mais ate...

e mais...

ate nao chegar,

ate nao caber ca dentro o mal imenso...
Torna-ma mais ardente,
exautivamente a acender mais o fogo em que agonizo...

E no final...

Ama-me contra a morte!


Vanda Batista Veloso

terça-feira, 20 de Março de 2007

Hi5


Para acederem a minha conta no Hi5 está aqui o endereço:
http://poetisamargot.hi5.com

Vanda Veloso

Traz-me cigarros...


...
... - Traz-me cigarros...de fumo azul...e não te esqueças...prometo-te um beijo se mos trouxeres...
- Nem que procure 50 anos...trazer-tos-ei...
- Ui...meio século???Tanto???...e se acaso eu já tiver morrido...(ai não ousarei dizer meu pensamento...)
- Pois bem infeliz me tornas!..
- Pois bem!...Haveria de pagar a promessa noutra vida...beijar-te-ei noutra vida...se só nessa vida me trouxeres os cigarros!!!
- Noutra vida?...Hummm...
-Se és céptico meu amor...só tens uma solução: DESPACHA-TE!...Traz-me os cigarros...meu amor...

quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Poetisa Margot...

Carta para alguém que ainda não chegou...



Há uma sombra indecisa,informe,que habita em mim,uma ansiedade vaga…
Sede que não é sede...Fome que não é fome...
Os meus olhos procuram qualquer coisa que não viram ainda e sinto que as minhas mãos se estendem hesitantes buscando não sei o quê...E agora,o meu olhar fita ansioso, o longe...à espera da manhã e de ti...Mas não ter eu uns olhos que só vissem formas e cores,sem pensar no que está lá por dentro...não ter eu uma certeza calma,um desejo seguro...não ter eu tudo aquilo que não tenho e que me doí!Mas diz-me...para que vejo eu?para que hei-de eu saber se há sol e flores e aves no céu....se nada disso é meu??Mas para quê?Ter entre mãos um violino de oiro,que ninguém quer ouvir?Para quê amar as pedras que me atiram e os tojos que me ferem,se os tojos e as pedras não precisam de amor?Mas mesmo assim,se me não queres dizer o porquê destas interrogações de alma,ao menos suavemente,diz-me sem sobressaltos,diz-me...De que é que eu tenho fome e sede?Eu quero subir mais ao alto...lá onde as urzes chamam por mim.E junto delas ser outra urze roxa de saudade de olhos postos no céu,a receber o orvalho das madrugadas...Mas para quê que as ouvi??As urzes lá no cimo da serra...mas para que subi á serra?Se eu não podia viver lá,para que subi à serra?Para que subi ao monte se não poderia ser urze e se tinha de lá voltar?Agora trago nos olhos a névoa das alturas e não sei ver nem reconheço o mundo cá de baixo.Trago nos meus ouvidos as canções das urzes e não entendo as vozes que me falam.Trago no peito o amor dos cardos e das pedras e já não posso amar as criaturas.
Continuo a rogar,para que os meus lábios não soltem palavras de lamento e façam da minha dor uma canção,que as minhas mãos vazias teçam no ar,mais sonhos e desejos e continuem sempre e sempre os seus gestos de ansiedade!
Mas onde estão os olhos perturbadores e a boca que me há-de prender para todo o sempre como o destino trôpego um dia me disse? Meu amor,não digas que os meus lábios são promessas de desejos mal contidos ou que os meus cabelos soltos lembram os afagos ligeiros dos dias não cumpridos.Que hó meu amor,as tuas mãos saibam acolher o violino d´oiro que canta em minhas mãos..Encontra-me tu,que meus pés já não podem andar mais...Ai quem me dera antes,meu amor...quando eu subi à serra p´ra te encontrar,ia eu...alma aberta,pés nus e olhos a sorrir...nesse tempo eu era jovem e bela...vem amor,p´ra me dizeres antes que a minha sensibilidade é tão trémula e frágil como a graça duma camélia,e que o teu amor por mim é tão forte e pleno,que só a eternidade o condena!Se chegares,eu far-me-ei dulcissimo cravo,a palpitar no eco dum tremor...sei que vens dum lugar p`ra onde eu vou.E chamo-te com tanta força que o amor bate temporais nas minhas veias...e eu vejo-te...e eu encontro-te...aqui...agora...depois desta vida inteira...E é neste momento que a minha procura acaba,que minha viagem termina...que meu corpo se torna de novo uma folha de hera,trémula e branda,desesperadamente pura,sob a caligrafia firme do teu amor...e é agora meu amor,que meus pés descansam e os meus olhos se encerram sobre os teus.


Vanda Batista

Ardente



Fogueiras ao alto, corações a arder
Olhares de histéricos desejos
Bocas sangrando, escorrendo beijos
Na labareda, na chaga do meu ser.

Queima-me toda por dentro, estonteante,
Nesta hora vibrante, exaltada,
Prende na minha alma crucificada
O astro mais alto, deslumbrante.

Abrir os braços mais fundo, mais além,
Que eu não tenho nada, não sou ninguém
Prender a loucura de quanto houver!

Deitar longe as asas, mais adiante,
Beber o vinho, a dor delirante
Do meu divino corpo de mulher.


Vanda Batista

segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Ardente...

Partida


Cruza-me brancos, os braços no peito,
Estende-me as asas rasgadas ao alto,
Enche-me as mãos de sonhos em sobressalto
Que tenho de poeta a graça e o jeito…

Deixa que saia de mim o mundo,
A alma, o coração, o sentimento,
Que em catadupas, à chuva e ao vento,
Digam a chorar: “Nada é mais profundo” !!

Fecha-me os olhos que tanto choraram,
A boca ardente que tanto beijaram
Que a minha alma é um cravo a sorrir…

Estou pronta! Tenho as asas desatadas,
Asas de Luz, estrelas desfolhadas…
Deixa-me partir…hó, deixa-me partir…


Vanda Batista

O que eu sou


Quis Deus fazer-me fantástico clarão,
Com o sonho impossivel d’outra vida
Quis tornar-me vinho em taça erguida,
Olhos de esfinge olhando a vastidão...

Tombam em derrocada minhas mãos,
Cansadas de traçar gestos pelo ar.
Ruinas tão grandes curvadas ao mar,
Sonhos tão desmedidos caídos ao chão...

Minha alma chora devagarinho...
É ave roxa caída do ninho...
Que alma a minha, que diz que tudo sente...

Toda a minha alma é deslumbrada!
Toda a minha sina é malfadada!
Como se eu não fosse igual a toda a gente!!!



Vanda Batista

Mais uma!


Deixai-me ficar,óh,deixai-me partir...
Q'os meus braços são um astro a tombar,
Então deixai-os cair,deixai-os cair...
Até a dor da vida não chegar!!

Abram-me as asas,escancarem-me o peito
Que tenho a alma em forma de arabesco,
Tenho o fado nas minhas mãos desfeito,
Mãos desenhadas em verso dantesco.

Trago o meu olhar que tanto chorou,
A boca,uma chaga que não sarou...
Chegar ao fim da vida e nada ser...

Sou sombra triste que em dor se esfuma,
Que de todas as almas,eu sou mais uma
Das que vieram ao mundo p'ra sofrer!!


Vanda Batista

Cega d’Amor


Pousa tua alma na minh’alma,
Unamos as bocas num só beijo,
Que meus gestos êxtaseados de desejo,
Hão-de um dia ser vôo d’asa calma.

Agora palpita e alastra,agudo,
O brilho dum amor sem fim,
Bem fundo, no âmago de mim,
Quase estranho,misterioso e mudo.

Abraça-me agora,amor,à tardinha.
Como se a tua alma fosse toda minha.
Como se não houvesse tempo p’ra esperar.

Que és tu?Flor ou Cardo?Q’importa???
Se um dia eu hei-de ser morta,
E ainda hei-de andar cega de te amar??!!!!...



Vanda Batista

Cântico d’amor


Trouxe de mim apenas o olhar sidéreo,
A graça infinita das mãos de menina.
Os labios sanguineos de rosa pequenina,
E no seio de alabástro o odor etéreo.

Vamos,amor correr entre os giestais,
Que o meu riso é claro e puro...
E o meu corpo um vinho maduro
Que te darei a beber entre os matagais.

Dulcissima é a febre de t’amar
E agora,fulgente sobre o mar
O nosso amor de brocado e marfim...

Tomara que os seres de felicidade imersos,
Cantassem assim forte em plenos versos...
Como é bom,amor...amar assim...


Vanda Batista

A ti


Procuram meus olhos sem encontrar,
Em ânsia desvairada e louca,
O beijo fantástico p´rá minha boca!
O astro q’aos meus pés me vá tombar!

As rosas floridas no meu peito,
Desfizeram-se em ruinas tamanhas,
Desgrenhadas, pálidas e estranhas
Curvaram-se devagar...Com jeito.

E o meu corpo que outrora beijaste,
Foi a quimera do sonho que sonhaste,
Intangivel e irreal,de côr e luz...

E os beijos que te dei voaram prá’além
As noites que te jurei,iguais ás de ninguém
São agora em ti a sombra duma cruz...





Vanda Batista

Alma d’amor


Minha alma é soneto ébrio d’amor,
É farta de rubor,roseira em alvoroço,
Agora que o meu corpo é brando e moço,
Agora que toda eu sou leziria em flor...

Os meus olhos são esmeraldas afogadas,
Debaixo de finas rendas de Ametista...
De onde minha alma de mulher avista
Turris Ebúrnea das paixões imaculadas...

Há rendas de prazer no nosso leito,
Como se de brocados o nosso amor fosse feito.
Ama-me estonteadamente...põe-me louca!!

Flamejam ao longe velas e mastros:
Beijos teus, subindo ao alto como astros,
Ao rubro poente da minha boca!!...



Vanda Batista

Desprezada


Eu fui a que nasceu orfã de pai e mãe,
Sem estrela de alva,sem caminho feito.
A quem os sonhos morreram ao peito
A quem tanta coisa fugiu p’ra além...

Eu fui a que prendeu n’alma toda a dor,
E dela...nunca, nunca mais se desprendeu.
Desde aí que meu riso quente adormeceu
P’ra nunca, nunca mais falar d’amor.

Mas que importa se ninguém me amou?
Se eu também fui um sonho que voou,
E astro também e sol e mar e céu e terra...

Sou sozinha e já não sei ser doutro jeito.
E é sempre a mesma dor deitada no meu leito
A mesma cova escura que me encerra!


Vanda Batista

O meu amor…


Onde está o amor que não o vejo?
O êxtase,o fascinio,o esplendor...
A emoção aguda e o tremor?...
O violento sobressalto que almejo?

Eu quero um amor de asas desatadas,
A doirar um momento e a esquecer,
Cantante!A renovar-se e a renascer
E nobre como rosas desfolhadas...

Onde está ele,que nos cegou tanto?
E choro e grito,e rio e canto,
Numa voz só de dor feita...
´
Guardo-te meus versos e meus desejos,
E meus sonhos rubros como beijos
Numa promessa assim nunca desfeita!!!


Vanda Batista